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Poemas

Poemas
Quando a minha palavra escorre… quase sempre em versos.

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Esta é uma pequena seleção das centenas de textos da Poeta.
Textos registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto em seus direitos autorais.

 

Meu verso me conta

Sim
Meu verso me conta
Cada palavra que eu já escrevi me diz
Cada linha escorrida me fala

Verdade
Quem me lê me vê
Sabe do que pensei, quis, achei
Ou senti 

Descobre do que sonhei, criei, lembrei
Ou fiz 

Mas, olha
Cuidado
Minha palavra me brinca
Faz esconde-esconde de mim

Se você quer mesmo saber
De tudo isso
O que eu já fiz
O que eu já quis
O que eu já vivi

Tira os olhos do papel

Olha pra mim

Me respira
Me toca
E me aprende

Quem sabe assim eu te conto
Quem sabe assim
Eu me mostro

Dois em Cena

Não, eu não me preocupo que seja para sempre
se tiver mesmo que colocar
advérbio
nesse verbo com som de horizonte
que seja de intensidade
não de tempo

Prefiro
que me queira
todo dia
de novo
e novamente
da mesma forma
ou diferente
mas que não me queira
mais ou menos
meio por acaso
meio sem querer
que me queira muito
e que me queira bem

Não, eu não procuro um amor de cinema
Não acho que amores combinem com roteiros
Mas tampouco me encantam
essas modernas paixões em
minissérie

Prefiro que me faça
encantadora
e encantada
que dispense
palco e ribalta
em cena
só querer
ao vivo
em arena
plena
de nós dois

Meu Anjo

Meu anjo, minha amiga, minha querida
Soprou em mim muito mais que vida

E, até hoje,
É teu conselho, teu colo, teu beijo
que busco sempre que caio

E teu sorriso, teu olho, teu beijo
ue busco sempre que venço

Porque sei bem o que sempre vai me perguntar

O que sempre vai me dizer

Mas ainda assim preciso ouvir de ti
A pergunta que é resposta

A tudo que te pergunto

“Filha, está feliz? “

Profecia

Quando eu nasci, um anjo lindo…

Sim
Porque torto ou esguio
Louco ou lúcido
Esbelto ou gordo

Se é anjo,
Anjo é
E, portanto, lindo

… de asas imensas e olhar azul
Olhou para mim e disse
“Te conto, não, menina, vá descobrir!”

Cética

Eu sei do seu desejo. Só não espero a sua vontade. Não espero eco. Não por não querer, só por saber.

Ainda assim, mostro. Mais que mostro, conto. Não calo o que abala. Não escondo sorrisos. Não abafo suspiros. Se te quero, digo. Se sinto, falo. Se me quer, acostuma.

Mas saiba. Muito pouco me abala.

Derreto no seu beijo, me desfaço no teu toque. Mas se não me seduz, não me cativa. Se não me desafia, não te guardo. Se não me instiga, não me tem..

Eu quero que você vença. Mas não vou te deixar ganhar. Então, duvido.

Artífice

Qual artesão
Esboça a minha vontade
Desenha o meu desejo
Esculpe o que eu quero

Maestro
Rege meus suspiros
Compõe meus arrepios
Me descompõe

Pintor das minhas nuances
Mergulha as mãos em minhas tintas
E faz de mim
Tela branca de ti

Diretor do desatino
Coordena nossa loucura
Me faz personagem
Desnuda em tua cena

Cineasta de um filme
Inédito de nós dois
Me olha como quem sabe o final
E eu que nem vi o início
Dançarino que me conduz
Em ritmo que é só nosso
Me enlaça e me leva
Bailarina em teus abraços

Poeta
Da palavra que eu não disse
Do canto que me seduz
Do verso que eu mais quero

E eu aqui
criadora
e criatura
vejo no ar
as imagens do que dissemos
as figuras do que pintamos

nossas cenas
nossas cores
se condensam em mim

E me deixam aqui exposta
em poema de nós dois

Quando não der para ser feliz em todo o tempo

Quando não der para ser feliz em todo o tempo
Seja feliz por uma tarde
Feliz pela manhã

E, se não der para ser feliz por tanto tempo
Seja feliz por uma hora
Feliz por um momento
Feliz por um minuto
Feliz num pensamento

E se não der para ser feliz nesse minuto
Seja feliz por um segundo

Que uma hora
O segundo vira minuto
E o minuto vira hora

Até a hora virar manhã
E a manhã encontrar a tarde

E tudo ficar bem.
De novo.

Descompassos

Era época de falar de planos, projetos, valores… e cá estou eu a te contar de sonhos, suspiros e vontades.

Era época de te perguntar o que você faz, onde estudou, o que planeja… e cá estou eu te perguntando o que te encanta, instiga e desafia.

Era época de eu te falar do trabalho, da família, dos amigos… e eu me encontro te falando do que contenho e excedo.

Era tempo de eu querer saber onde mora, se tem um hobbie… e eu me encontro querendo saber o que tem esperado, suspirado, transpirado.

Era tempo de contar o que fiz ontem… e cá estou eu te contando do meu lugar do sonho e de como escolho livros.

Era tempo de saber o que vai fazer hoje… e eu me encontro querendo saber o que te faz feliz.

 O tempo era de ser educada e simpática… e eu me vejo contando hábitos estranhos ao mundo. Te falo sobre poemas ditos na varanda… mostro as metáforas que pulsam nas minhas palavras.

Mas o tempo fundiu minuto em hora no momento em que o espelho refletiu.
E a época abriu o espaço no instante em que nos reconhecemos.

E quando o amor floresce, mas não enraíza?

Paixão Flor de Liz alada
alçou vôo de mim
tal borboleta
recém-saída do casulo

E se, desde menina, eu sei
que não se toca
em asas de borboleta,
acha mesmo, colibri,
que te prenderia à flor?

Então, voa,
meu amor,
mas não me olhes
com esses olhos
de até quando

Precisa mesmo
saber até quando?
Se já sabemos tanto
os por quês?

É porque ainda estou com o teu gosto em mim
E porque são tantas e tão fortes as interseções

E porque vamos do lírico
ao com-ple-ta-men-te não lírico
em segundos

E porque temos a mesma linguagem
E toda essa vontade

E porque as coisas que não vão até o final não terminam

Por tudo isso
e tão mais
Sigamos até o final

Amanhã também

A burguesia não se importa com o outro
O operário não se importa com o outro
Meu Deus, quem é que se importa?

O ser humano não desapega do umbigo
Todo mundo é bom
Todo mundo quer bem
Ninguém nunca fez mal
Será que alguém fez bem?

Acorda, levanta, trabalha
Café da manhã, almoço e janta
Jornal Nacional
Boa noite, meu bem
E amanhã também

Acorda, levanta, procura emprego
Arroz com feijão, Graças a Deus
Jornal Nacional
Boa noite, meu bem
E amanhã também

Na Urca
O aposentado não vê
Que tem fome na esquina

Na Tijuca
A dona de casa não vê
Que tem fome na esquina

Em Realengo
O trabalhador não vê
Que tem fome na esquina

O ser humano não desapega do umbigo
Todo mundo é bom
Todo mundo quer bem
Ninguém nunca fez mal
Será que alguém fez bem?

E, enquanto
boas intenções enchem o Inferno,
nas esquinas transitam
nossas crianças

Há fome na esquina
E não é só de pão
Não dá no Jornal Nacional
Boa noite, meu bem

Amanhã também?

Escolhas

Tá bom
Você precisa

Decidir
Escolher
Optar
Resolver

O dia começa
E você precisa

Atender aos pedidos

Do filho
Do marido… ou da esposa
Da mãe
Do chefe
Da empregada
Do médico
Do professor
Do dentista

O dia corre
E você tem

Tem que fazer
Tem que saber
Tem que poder

A noite chega
E você precisa

Precisa ouvir
Discutir
Saber

Porque o certo
O correto
O direito

É você ser essa pessoa

Eficiente
Organizada
Decidida
Informada
Bem vestida
Articulada
E antenada

Por que
Seus filhos
Seu marido… ou sua esposa
Seu trabalho
Seus pais
Seus amigos

Esperam

E precisam
De você

Mas hoje
Só um pouquinho
Antes que o hoje acabe

Pare
Pense

Quem precisa de quem?

Precisam de você?
Ou você precisa
Que precisem de você?

Quem precisa do que?

Seu filho
Precisa que você saiba
Ou que você sinta?

Seu marido… sua mulher…
Precisa que você faça
Ou que você esteja?

Sua mãe
Precisa que você ligue
Ou que você escute?

Seu trabalho
Precisa que você corra
Ou que você faça?

E você?
Precisa do quê?
Precisa de quem?

Então, hoje
Só um pouquinho
Antes que o hoje acabe

Escolha ouvir a si mesma
Decida olhar para o outro

Escute o que não foi pedido
A palavra que não foi dita
E grita

Veja o que não foi mostrado
O gesto que não foi feito
E pede

Hoje
Só um pouquinho
Antes que o hoje acabe

Sinta
Desfaça
Não faça

Desorganize
Ou não organize

Por dentro
Ou por fora

Permita

O nome do hoje é presente
Isso não é por acaso

Pescadora de Palavras

Tradutora de nuvens
Pescadora de palavras
Pintora de ilusões

O que eu traduzo
É só esboço

O que eu pesco
Me persegue

O que eu pinto
Não te ilude
Fato

Ah, vai
Foi você que perguntou

Te pareço louca?
Acostuma…
Poeta!

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Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional e protegidos quanto aos seus direitos autorais.

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Discussão

Um comentário sobre “Poemas

  1. Lindo seus versos. Estou gostando demais do seu blog.

    Publicado por Roberto Passos do Amaral Pereira | 19 de novembro de 2011, 19:41

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